Tempos houve em que a vila de Viana foi uma povoação amuralhada para melhor proteção dos seus habitantes.
A muralha, que ficou concluída no ano de 1374, apresentava um perímetro ovalóide de 1685 metros, tinha 10 metros de altura e 2,20 metros de espessura. O acesso ao seu interior fazia-se através de quatro portas (Porta da Ribeira, Porta de Santiago, Porta do Postigo e Porta da Piedade) situadas nas extremidades dos dois principais arruamentos do núcleo medieval, que se cruzavam perpendicularmente.
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A saída da vila para o arrabalde oriental era a mais importante, por aqui se situar a antiga igreja paroquial e aí ter sido o cemitério da vila até ao século XIX.
Chamou-se, ao princípio, “Porta das Atafonas”, por junto a ela existirem moinhos desse tipo (de tração animal).
Dedicada a S. Pedro, foi assim denominada depois (e o nome ainda ficou ligado a um trecho de arruamento).
Mas foi a denominação “da Piedade” que prevaleceu, porque, por ser a saída da vila para o cemitério, sobre a porta se situava um nicho com a imagem de Nossa Senhora da Piedade (que hoje se encontra na Sé)

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A planta da vila medieval tinha um eixo maior denominado, por isso, “Rua Grande”, articulada com os arrabaldes. Desta articulação veio o nome a esta porta, porque dava para o arrabalde da Ribeira, parte da cidade ainda assim denominada, onde passaram a domiciliar-se os moradores mais pobres, particularmente os pescadores. Nela se entrava por uma rua de nome intrigante, e ainda hoje usado, a Rua dos Manjovos, que dava para a capela de Santo Homem Bom (dos Alfaiates) e a de Santa Catarina (dos marítimos).
Esta porta, para proteger os que saíam e a vila do que por ela podia entrar, era dedicada a S. João
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O espaço interno da Viana medieval foi organizado à imitação dos “bastides” do sul de França, mas segundo a forma duma oval, com um eixo maior e um eixo menor transversal a ele, orientado da direção Norte-Sul. Atravessavam a vila os peregrinos a caminho de Santiago, saindo dela por esta porta, que, por isso, foi chamada “Porta de Santiago” e ao mesmo tempo que a gíria local lhe chamava “Porta do Campo do Forno” por dar para a Praça, que até meados do século XIX, tinha essa denominação.

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Todos os castelos e localidades tinham uma porta destinada ao abastecimento em caso de cerco.
Nos castelos, era uma porta estreita, para se disfarçar, por isso chamada “postigo”, mas também “porta da traição” por só ser conhecida dos sitiados.
Em Viana, ficava o postigo da extremidade sul do eixo menor da oval da vila (antiga Rua da Praça Velha), e dava para o rio donde lhe viria o abastecimento mas onde chegavam também os peregrinos a caminho de Santiago.
Esta porta foi dedicada a S. Crispim, cuja imagem foi colocada num nicho da torre e aí se manteve, mesmo depois que os sapateiros, seus devotos, lhe construíram uma capela própria, à Rua da Bandeira.
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