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Viajando por Portugal

Pelos caminhos de Portugal, vi tanta coisa linda, vi coisa sem igual.

Castelo de Montemor-o-Velho

José Torres
07.03.2026

Época de Construção

Séculos XI / XII / XIV / XVI

Classificação

Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG n.º 136 de 23 junho 1910

Localização

R. Infante Dom Pedro, 3140-262 Montemor-o-Velho

Descrição

De origem muçulmana, Montmayur é descrita no século X como uma poderosa fortaleza. A sua posição estratégica tornou-a particularmente cobiçada por forças cristãs e muçulmanas, o que explica os inúmeros combates aqui travados. Só a partir de 1064, com a conquista definitiva de Coimbra, a situação viria a estabilizar, ainda que em 1116-1117 voltasse a ser atacada pelas hostes muçulmanas.

Em 1071, D. Afonso VI entregou Montemor-o-Velho a D. Sesnando para que este povoasse a região e preparasse a estrutura para o seu papel determinante de defender a região de eventuais incursões marítimas. A primeira carta de povoação foi outorgada por D. Raimundo, em 1095, e a carta de foral foi dada, em 1212, pela infanta D. Teresa, filha de D. Sancho I e senhora da vila.

O castelo terá sido palco de residência de grande parte da população, pelo menos enquanto as investidas muçulmanas foram ameaça. A sua configuração atual resulta de várias intervenções espaçadas no tempo. Na passagem do século XII para o XIII ergueu-se a torre de menagem e o alambor e no século XIV aumentou-se o perímetro da muralha, erguendo-se a barbacã para dificultar a aproximação do inimigo. Com o intuito de assegurar a integridade do castelo, D. Fernando mandou destruir as casas que do lado de fora se encostavam às muralhas. Do século XV data o cercado norte, edificado para refúgios às populações vizinhas e do século XVI datam as obras de remodelação da Igreja de Santa Maria da Alcáçova, promovidas pelo Bispo de Coimbra.

Entradas no Castelo
  • Entrada Principal
  • Porta de Nossa Senhora do Rosário ou Porta do Sol

Este cercado, descendo a encosta, data do século XY e serviu para abrigar as populações vizinhas bem como os seus bens, sobretudo animais, em caso de ataque inimigo na região. No interior situa-se a Capela de S. João, erguida, possivelmente, no século X, atualmente em ruínas.

O que podemos ver no interior do castelo?

  • Baloiço
  • Igreja de Santa Maria de Alcáçova

Levantada nos finais do século XI, deve a sua feição atual a uma profunda intervenção ordenada por D. Jorge de Almada, bispo de Coimbra, nos inícios de quinhentos.

Com três naves e cobertura de madeira, suportada por pilares espiralados, apresenta cabeceira tripla abobadada. Seguindo a tipologia da igreja salão, tão em voga no século XVI, Francisco Pires projetou um espaço interior unitário e amplo que os finos pilares não chegam verdadeiramente a compartimentar.

No seu interior, destaca-se a Virgem do Ó e o anjo da Anunciação, ambos atribuídos ao Mestre Pêro, ativo na primeira metade de trezentos, e o retábulo renascentista atribuído a João de Ruão. Repare-se ainda na pintura a fresco, ainda por datar, que subsiste na capela lateral e que nos permite imaginar como seria decorado o interior de grande parte dos templos séculos atrás.

Interior da igreja

A cabeceira da igreja tem origem românica, no período condal (século XII). O interior com 3 naves separadas por arcadas sobre colunas torsas é já do período manuelino (século XVI).

Os retábulos dos absidíolos e a pio batismal (estilo renascença) são também do século XVI tal como os azulejos sevilhanos de aresta que se encontram no interior.

Na capela da Epístola, onde se salienta o retábulo do Sacramento e a abóbada no estilo da renascença coimbrã, ambos em pedra de Ançã, existem azulejos enxaquetados, a azul e branco. O retábulo da capela-mor é do século XVII.

  • O Paço das Infantas

De origem medieval, o Paço das Infantas tomou esta designação por ter sido profundamente remodelado, no século XIII, pela infanta D. Teresa, filha de D. Sancho I. Da residência que se tornou nos finais da Idade Média, sobretudo com as obras ordenadas por D. Afonso V e D. Manuel, já pouco resta. Ainda assim, a documentação comprova a importância que teve enquanto residência palatina. Foi palco de reuniões de corte, cerimónias e atos solenes… e lugar de decisões nem sempre fáceis como aquela que D. Afonso IV aqui tomou no dia 6 de janeiro de 1355: Inês de Castro seria executada no dia seguinte, em Coimbra.

A casa de chá, atualmente convertida em posto de turismo, instalada numa parte da ruína do Paço, resulta da interpretação do arquiteto João Mendes Ribeiro como cenário de outro tempo mas dele se distinguindo pelo tipo de materiais.

  • A Torre de Menagem

Introduzida em Portugal pelos templários na segunda metade do século XII, era a torre mais importante de qualquer castelo, funcionando como último reduto defensivo.

O acesso ao interior fazia-se sempre ao nível do primeiro andar, através de uma escada amovível ou através do adarve, por uma ponte de madeira. Recolhendo no seu interior a escada ou ponte, tornava-se totalmente inacessível.

Erguida, seguramente antes de 1211, junto à porta primitiva do castelo, hoje desaparecida, apresenta uma planta retangular de 10×7 metros. Os 20 metros de altura a que se eleva resultam do restauro efetuado, em meados do século XX, pela Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais.

  • A Torre do Relógio

A Torre do Relógio é uma das estruturas notáveis que se podem observar ao visitar o castelo. Situa-se na muralha do castelo, virada para a povoação.

A Torre do Relógio, adaptada em 1877 numa das torres medievais, é um marco icónico que dá horas à vila. Com influências góticas, a torre assinala a entrada principal e, historicamente, o seu relógio mecânico funcionou entre 1952 e 2011, integrado na estrutura de defesa. 

O que podemos ver na envolvente ao castelo?
  • Capela de Santo António

A origem da capela de Santo António gera controvérsia, já que alguns autores defendem que a sua construção remonta ao século XI e outros apontam o período de finais do século XV e inícios do século XVI. Funcionou como matriz da antiga freguesia de Salvador, entretanto extinta.

Ao longo dos tempos, a capela foi alvo de intervenções que resultaram na perda do seu caráter primitivo. Em 1934, no âmbito das extensas obras de recuperação levadas a cabo no castelo e zona circundante, a Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais determinou que a capela fosse demolida. No entanto, segundo contam as gentes de Montemor, a população, revoltada com a decisão, fez muita pressão para que tal não acontecesse. A demolição não avançou. Mas o edifício foi-se degradando, o que levou as pessoas a retirar o seu recheio e alguns elementos estruturais, mantendo-se a esperança de que seriam repostos no futuro, quando a capela fosse recuperada.

A recuperação iniciou-se em 2016, altura em que a capela se encontrava reduzida às paredes e destelhada. Finalizados os trabalhos, é agora um espaço cultural integrado no circuito de visitação do castelo que se prolonga pela envolvente sul.

  • Igreja de Santa Maria Madalena

A origem exata da igreja de Santa Maria Madalena é desconhecida, contudo, sabe-se que já existia em meados do século XIII. Foi uma das duas igrejas que D. Manuel I ressalvou na doação a D. Jorge, no ano de 1500. Pertenceu à Coroa Real, teve priorado e anexo um hospital com o mesmo nome, que se destinava ao tratamento de mulheres honradas e solteiras. Mais tarde, pertenceu aos Condes de Tentúgal e foi sede de uma das antigas paróquias da vila.

Há muito tempo que se deixou de prestar culto na igreja, acabando por entrar em ruínas. Porém, ainda é possível contemplar a frontaria, onde se destaca o campanário manuelino com lugar para dois sinos e que conserva a sua forma primitiva, assim como o portal de estilo gótico. Sobre a porta do lado sul, crava-se uma cabeceira de sepultura com cruz floreada. No interior, na esquina da capela-mor, existiam um ornamento de estilo manuelino (mísula) e uma lápide romana, entretanto removidas.

A igreja de Santa maria Madalena foi alvo de intervenção, no âmbito das obras de requalificação da envolvente sul do castelo, através de um projeto do arquiteto Álvaro Siza Vieira.

  • Igreja Nova

A Igreja Nova, atualmente em ruínas, situa-se junto à entrada do castelo designada Porta de Nossa Senhora do Rosário ou Porta do Sol. Dedicada a Nossa Senhora da Encarnação, foi em tempos sede da Irmandade dos Clérigos da vila e a sua edificação advém de uma contenda entre o pároco de São Martinho e a Colegiada da Igreja de Santa Maria da Alcáçova. Quando foi erguida, o objetivo era que viesse a assumir o papel de Igreja Paroquial, mas tal não chegou a acontecer.

O tipo de construção e as suas caraterísticas artísticas são desconhecidas, no entanto, sabe-se que na década de 1940 possuía ainda de pé a frontaria, com um portal renascentista, da primeira metade do século XVII. Em 1941, aquando das obras efetuadas no castelo, pela Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, acabou por der demolido.

No século XXI, os vestígios da Igreja Nova foram alvo de intervenção, no âmbito das obras de requalificação da envolvente sul do castelo, através de um projeto do arquiteto Álvaro Siza Vieira.

Para mais informações clica aqui ou lê o código QR ao lado.

  • Palácio Sotto Mayor

    Propriedade da Sociedade Figueira Praia S.A., foi mandado edificar por Joaquim Sotto Mayor, no início do séc. XX.

  • Sé Velha de Coimbra

    Edificada no séc. XII com projeto de Mestre Robert, em estilo românico, nela se encontra os túmulos de D. Sesnando, 1º Governador da cidade, D. Vataça, princesa bizantina, aia de Isabel de Aragão, e do Bispo-Conde D. Afonso de Castelo Branco.

  • Sé Nova de Coimbra

    Começou a ser construído em 1598 o Colégio das Onze Mil Virgens pela Companhia de Jesus, que estava instalada na cidade desde 1541. As obras desenvolveram-se com lentidão e a igreja apenas foi inaugurada em 1698.

  • Convento e Igreja De Nossa Senhora dos Anjos

    O Convento de Nossa Senhora dos Anjos foi fundado canonicamente em 1494 pelos Frades Eremitas de Santo Agostinho.

  • Castelo de Montemor-o-Velho

    De origem muçulmana, Montmayur é descrita no século X como uma poderosa fortaleza. A sua posição estratégica tornou-a particularmente cobiçada por forças cristãs e muçulmanas, o que explica os inúmeros combates aqui travados.

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