
Época de Construção
Séculos XII / XV / XVI / XVII
Classificação
Monumento Nacional, Decreto de 10-01-1907, DG, 1.ª série, n.º 14 de 17 janeiro 1907, Decreto de 16-06-1910, DG, 1.ª série, n.º 136 de 23 junho 1910 / ZEP / Zona “non aedificandi”, Portaria, DG, 2,ª série, n.º 265 de 14 novembro 1946 *1 / Património Mundial – UNESCO, 1983
Localização
Igreja do Castelo Templário, Estr. do Convento, 2300-000 Tomar
Descrição
Em 1983 a UNESCO declarou monumento “Património da Humanidade” uma jóia ímpar da história do Ocidente: o Castelo Templário e Convento dos Cavaleiros de Cristo de Tomar. Construído sobre um lugar de culto romano, este vasto conjunto monumental fala-nos de sete séculos da história de Portugal e de grandes momentos da história do Ocidente.
Afonso Henriques, nosso primeiro rei, doou aos Cavaleiros do Templo de Jerusalém, uma vasta região entre o Mondego e o Tejo. Conta a lenda que, em 1160, os cavaleiros chegados à região escolheram um monte para estabelecer um castelo e o nome que lhe iriam dar: Tomar. Em 1314, a Ordem do Templo foi extinta devido às perseguições do rei de França, Filipe – o Belo. Graças à vontade de D. Dinis, as pessoas, os bens e os privilégios foram totalmente integrados, em 1319, numa nova ordem – a Milícia dos Cavaleiros de Cristo que iria, com o Infante D. Henrique, apoiar a nação portuguesa na empresa das descobertas marítimas dos séculos XV e XVI. O Castelo de Tomar é então Convento e sede da Ordem e o Infante Navegador seu Governador e Administrador perpétuo.
É assim que que o Convento de Cristo encerra no seu conjunto arquitectural testemunhos da arte românica, com os templários; do Gótico e do Manuelino com as descobertas, prosseguindo com a arte do Renascimento durante a Reforma da Ordem; depois o Maneirismo e finalmente o Barroco em ornamentos arquitetónicos.
O templo de planta redonda, edificado pelos Templários, tem matriz na igreja que o imperador Constantino construiu sobre o Santo Sepulcro, em Jerusalém. Em torno da igreja templária desenvolveu-se, ao longo do tempo, o enorme convento, onde importa salientar o conjunto de quatro grandes claustros, a enfermaria da Ordem e também o aqueduto com 6 quilómetros de extensão construído pelo rei espanhol Filipe III.
Este claustro, construído em 1541-42, servia a zona do Convento destinada a albergar temporariamente os viajantes: peregrinos, eclesiásticos e nobres de passagem, frades ou cavaleiros da Ordem que vinham receber a bênção do prior.
No piso superior hospedavam-se os de maior estatuto social. No piso térreo situavam-se os aposentos da criadagem (ala este), as cavalariças (ala norte) e a casa do Procurador (ala oeste). Este piso ligava á botica e à enfermaria.








A Igreja do Convento de Cristo é composta por:
Charola – primitivo oratório românico dos Templários, em forma de rotunda fortificada e inspirado no Templo de Jerusalém, datado do século XII. Dessa época, são os capitéis das colunas centrais e a pintura sobre pedra alusiva a S. Cristóvão.
Corpo da igreja – construído na campanha manuelina de 1510-15, por Diogo Arruda e João de Castilho. Este coro – que inclui a nave, o coro alto e o coro baixo – foi ligado à charola por um grande arco rasgado nos muros do velho oratório. O tambor interior da rotunda foi convertido em capela-mor.


















Foi construída em finais do Século XVI pelo mestre-de-obras do Convento, Francisco Lopes, durante o priorado de Frei Adrião Mendes (1575-78).
Neste local funcionou anteriormente a casa do capítulo henriquina (século XV).
Entre 1629-30 beneficiou de obras de unificação estilística, conduzidas pelo arquiteto da Ordem, Diogo Maques Lucas.
A abóbada revela um programa iconográfico da época filipina, com a nova cruz da Ordem de Cristo, a esfera armilar e as armas reais.



Construído pelo arquiteto Fernão Gonçalves durante o período em que o infante D. Henrique foi Governador e Administrador da Ordem de Cristo (1420-60), foi objeto de uma remodelação nos inícios do século XVII (época filipina).
Serviu de local de procissões e de enterramento dos frades cavaleiros, sob o pavimento das galerias.
Neste claustro foram abertos arcossólios para os túmulos de D. Diogo da Gama (1523), Baltazar de Faria (1584) e Pedro Álvares seco de Freitas (1599).






Construção iniciada cerca de1426 e concluída em 1453.
No claustro da Lavagem os donatos serviçais sem ordens religiosas ou votos – procediam aos trabalhos domésticos e à lavagem dos hábitos, nos tanque do piso térreo.








Concluído em 1543, deve o nome aos pedaços de pão que aqui eram distribuídos aos pobres.
O portal quinhentista que dá acesso ao exterior, desenhado por João de Castilho, é oriundo da primitiva portaria e foi para aqui transferido em 1620.
Neste claustro encontra-se a maior cisterna do Convento.












Iniciado entre 1530 e 1533 pelo arquiteto João de Castilho, durante a grande campanha de D. João III (1521-57), este claustro á a principal edificação do novo Convento desde a Reforma da Ordem de Cristo (1529), dirigida por Frei António de Lisboa (†1551). Em 1557-58 foi lançado um novo projeto, de Diogo de Torralva, que substituiu o claustro anterior e que está concluído, no essencial, por volta de 1562. A sobreposição dos dois claustros é ainda hoje evidente em diferentes zonas dos dois pisos, uma vez que o primitivo não foi inteiramente demolido. No final do século XVI teve obras de Filipe Terzi e, em 1619, sob a direção de Pero Fernandes de Torres, fez-se a ligação do aqueduto dos Pegões ao chafariz central, pouco antes da visita ao Convento de Filipe II de Portugal.
Trata-se de uma obra-prima do Renascimento europeu, inspirado nos modelos da arquitetura italiana e, sobretudo, nos desenhos divulgados pelo arquiteto bolonhês Sebastiano Serlio.








A construção do Claustro Pequeno, como foi originalmente conhecido, iniciou-se em 1531, durante a campanha de obras do arquiteto João e Castilho, passando desde então a funcionar como espaço de distribuição no interior do Convento.
Em 1843, por ordem do rei D. Fernando II, o piso superior foi demolido para desobstruir a Janela Manuelina


Construído por João de Castilho durante a grande campanha de D. João III, este espaço devia estar concluído entre 1535 e 1536, de acordo com as inscrições nos púlpitos, destinados à leitura durante a refeição. Note-se o desenho das nervuras perspetivadas da abóbada. Tem uma antecâmara que serviu e aparador e que comunica com a cozinha.
Sob o refeitório localiza-se a adega do vinho e do azeite e outras dependências de cariz agrícola, em articulação com o laranjal (horta dos Frades) e a cerca do Convento.
A atual organização das mesas deveu-se a obras posteriores, do tempo do Seminário das Missões (1922-92).









Foi concluído entre 1543 e 1545. Dispõe de 40 celas, distribuídas ao longo do chamado corredor do cruzeiro, formado por três braços de iguais dimensões orientados segundo os pontos cardeais. O lavabo, no braço sul, marca a conclusão da obra de abastecimento de água ao Convento (1617).
O lambril de azulejos data do século XVII.










Espaço destinado ao aquecimento, com chaminé e assentos lateria, a partir do qual era conduzido ar quente para as celas.




O Cruzeiro situa-se no centro geométrico do Convento e na confluência dos três corredores que constituem o dormitório grande.
Terminada a primeira fase da construção em 1533, apresenta uma decoração próxima do plateresco espanhol, talvez devida a algum dos escultores biscainhos que trabalharam com o arquiteto João de Castilho. O remate da torre-lanterna é já de 1544, com a novidade dos seus ornamentos inspirados em motivos triunfais antigos. A Capela que se abre para o cruzeiro desenvolve, nos 91 caixotões decorados da abóbada, variações sobre o tema tardo-medieval do desconcerto do mundo. No altar encontra-se o Ecoe Homo, escultura em terracota assinada por Inácia da Encarnação (1654).


Foi iniciada em 1513, na campanha de obras de D. Manuel, pelo arquiteto Diogo de Arruda e continuada por João de Castilho. O piso inferior serviria para Capítulo dos Frades e o superior dos Cavaleiros.
Entre 1533 e 1545 foi renovada ao gosto renascentista até à suspensão ordenada por D. João III, e o edifício nunca foi concluído.
Em 1581, Filipe II de Espanha, I de Portugal, reuniu as Cortes neste espaço, tendo sido aqui concretizada a união dinástica e jurado D. Diogo, seu filho, como príncipe de Portugal. Para este efeito foi concebida uma cobertura feita com velas de navios e revestidas as paredes com tapeçarias.



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