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Viajando por Portugal

Pelos caminhos de Portugal, vi tanta coisa linda, vi coisa sem igual.

Convento de Cristo

José Torres
31.03.2025

Época de Construção

Séculos XII / XV / XVI / XVII

Classificação

Monumento Nacional, Decreto de 10-01-1907, DG, 1.ª série, n.º 14 de 17 janeiro 1907, Decreto de 16-06-1910, DG, 1.ª série, n.º 136 de 23 junho 1910 / ZEP / Zona “non aedificandi”, Portaria, DG, 2,ª série, n.º 265 de 14 novembro 1946 *1 / Património Mundial – UNESCO, 1983

Localização

Igreja do Castelo Templário, Estr. do Convento, 2300-000 Tomar

Descrição

Em 1983 a UNESCO declarou monumento “Património da Humanidade” uma jóia ímpar da história do Ocidente: o Castelo Templário e Convento dos Cavaleiros de Cristo de Tomar. Construído sobre um lugar de culto romano, este vasto conjunto monumental fala-nos de sete séculos da história de Portugal e de grandes momentos da história do Ocidente.

Afonso Henriques, nosso primeiro rei, doou aos Cavaleiros do Templo de Jerusalém, uma vasta região entre o Mondego e o Tejo. Conta a lenda que, em 1160, os cavaleiros chegados à região escolheram um monte para estabelecer um castelo e o nome que lhe iriam dar: Tomar. Em 1314, a Ordem do Templo foi extinta devido às perseguições do rei de França, Filipe – o Belo. Graças à vontade de D. Dinis, as pessoas, os bens e os privilégios foram totalmente integrados, em 1319, numa nova ordem – a Milícia dos Cavaleiros de Cristo que iria, com o Infante D. Henrique, apoiar a nação portuguesa na empresa das descobertas marítimas dos séculos XV e XVI. O Castelo de Tomar é então Convento e sede da Ordem e o Infante Navegador seu Governador e Administrador perpétuo.

É assim que que o Convento de Cristo encerra no seu conjunto arquitectural testemunhos da arte românica, com os templários; do Gótico e do Manuelino com as descobertas, prosseguindo com a arte do Renascimento durante a Reforma da Ordem; depois o Maneirismo e finalmente o Barroco em ornamentos arquitetónicos.

O templo de planta redonda, edificado pelos Templários, tem matriz na igreja que o imperador Constantino construiu sobre o Santo Sepulcro, em Jerusalém. Em torno da igreja templária desenvolveu-se, ao longo do tempo, o enorme convento, onde importa salientar o conjunto de quatro grandes claustros, a enfermaria da Ordem e também o aqueduto com 6 quilómetros de extensão construído pelo rei espanhol Filipe III.

1. Claustro da Hospedaria

Este claustro, construído em 1541-42, servia a zona do Convento destinada a albergar temporariamente os viajantes: peregrinos, eclesiásticos e nobres de passagem, frades ou cavaleiros da Ordem que vinham receber a bênção do prior.

No piso superior hospedavam-se os de maior estatuto social. No piso térreo situavam-se os aposentos da criadagem (ala este), as cavalariças (ala norte) e a casa do Procurador (ala oeste). Este piso ligava á botica e à enfermaria.

2. Igreja do Convento de Cristo

A Igreja do Convento de Cristo é composta por:

Charola – primitivo oratório românico dos Templários, em forma de rotunda fortificada e inspirado no Templo de Jerusalém, datado do século XII. Dessa época, são os capitéis das colunas centrais e a pintura sobre pedra alusiva a S. Cristóvão.

Corpo da igreja – construído na campanha manuelina de 1510-15, por Diogo Arruda e João de Castilho. Este coro – que inclui a nave, o coro alto e o coro baixo – foi ligado à charola por um grande arco rasgado nos muros do velho oratório. O tambor interior da rotunda foi convertido em capela-mor.

2.1 Charola
2.2 Corpo da Igreja
3. Sacristia Nova

Foi construída em finais do Século XVI pelo mestre-de-obras do Convento, Francisco Lopes, durante o priorado de Frei Adrião Mendes (1575-78).

Neste local funcionou anteriormente a casa do capítulo henriquina (século XV).

Entre 1629-30 beneficiou de obras de unificação estilística, conduzidas pelo arquiteto da Ordem, Diogo Maques Lucas.

A abóbada revela um programa iconográfico da época filipina, com a nova cruz da Ordem de Cristo, a esfera armilar e as armas reais.

4. Claustro de Cemitério

Construído pelo arquiteto Fernão Gonçalves durante o período em que o infante D. Henrique foi Governador e Administrador da Ordem de Cristo (1420-60), foi objeto de uma remodelação nos inícios do século XVII (época filipina).

Serviu de local de procissões e de enterramento dos frades cavaleiros, sob o pavimento das galerias.

Neste claustro foram abertos arcossólios para os túmulos de D. Diogo da Gama (1523), Baltazar de Faria (1584) e Pedro Álvares seco de Freitas (1599).

5. Claustro da lavagem

Construção iniciada cerca de1426 e concluída em 1453.

No claustro da Lavagem os donatos serviçais sem ordens religiosas ou votos – procediam aos trabalhos domésticos e à lavagem dos hábitos, nos tanque do piso térreo.

6. Claustro Principal
7. Enfermaria e Sala dos Cavaleiros
8. Claustro da Micha

Concluído em 1543, deve o nome aos pedaços de pão que aqui eram distribuídos aos pobres.

O portal quinhentista que dá acesso ao exterior, desenhado por João de Castilho, é oriundo da primitiva portaria e foi para aqui transferido em 1620.

Neste claustro encontra-se a maior cisterna do Convento.

9. Claustro das Necessárias
10. Claustro dos Curvos
11. Claustro principal

Iniciado entre 1530 e 1533 pelo arquiteto João de Castilho, durante a grande campanha de D. João III (1521-57), este claustro á a principal edificação do novo Convento desde a Reforma da Ordem de Cristo (1529), dirigida por Frei António de Lisboa (†1551). Em 1557-58 foi lançado um novo projeto, de Diogo de Torralva, que substituiu o claustro anterior e que está concluído, no essencial, por volta de 1562. A sobreposição dos dois claustros é ainda hoje evidente em diferentes zonas dos dois pisos, uma vez que o primitivo não foi inteiramente demolido. No final do século XVI teve obras de Filipe Terzi e, em 1619, sob a direção de Pero Fernandes de Torres, fez-se a ligação do aqueduto dos Pegões ao chafariz central, pouco antes da visita ao Convento de Filipe II de Portugal.

Trata-se de uma obra-prima do Renascimento europeu, inspirado nos modelos da arquitetura italiana e, sobretudo, nos desenhos divulgados pelo arquiteto bolonhês Sebastiano Serlio.

12. Claustro de Santa Bárbara

A construção do Claustro Pequeno, como foi originalmente conhecido, iniciou-se em 1531, durante a campanha de obras do arquiteto João e Castilho, passando desde então a funcionar como espaço de distribuição no interior do Convento.

Em 1843, por ordem do rei D. Fernando II, o piso superior foi demolido para desobstruir a Janela Manuelina

13. Refeitório

Construído por João de Castilho durante a grande campanha de D. João III, este espaço devia estar concluído entre 1535 e 1536, de acordo com as inscrições nos púlpitos, destinados à leitura durante a refeição. Note-se o desenho das nervuras perspetivadas da abóbada. Tem uma antecâmara que serviu e aparador e que comunica com a cozinha.

Sob o refeitório localiza-se a adega do vinho e do azeite e outras dependências de cariz agrícola, em articulação com o laranjal (horta dos Frades) e a cerca do Convento.

A atual organização das mesas deveu-se a obras posteriores, do tempo do Seminário das Missões (1922-92).

14. Dormitório grande

Foi concluído entre 1543 e 1545. Dispõe de 40 celas, distribuídas ao longo do chamado corredor do cruzeiro, formado por três braços de iguais dimensões orientados segundo os pontos cardeais. O lavabo, no braço sul, marca a conclusão da obra de abastecimento de água ao Convento (1617).

O lambril de azulejos data do século XVII.

14.1 Calefactório

Espaço destinado ao aquecimento, com chaminé e assentos lateria, a partir do qual era conduzido ar quente para as celas.

15. Cruzeiro e Capelo do Cruzeiro

O Cruzeiro situa-se no centro geométrico do Convento e na confluência dos três corredores que constituem o dormitório grande.

Terminada a primeira fase da construção em 1533, apresenta uma decoração próxima do plateresco espanhol, talvez devida a algum dos escultores biscainhos que trabalharam com o arquiteto João de Castilho. O remate da torre-lanterna é já de 1544, com a novidade dos seus ornamentos inspirados em motivos triunfais antigos. A Capela que se abre para o cruzeiro desenvolve, nos 91 caixotões decorados da abóbada, variações sobre o tema tardo-medieval do desconcerto do mundo. No altar encontra-se o Ecoe Homo, escultura em terracota assinada por Inácia da Encarnação (1654).

16. Casa do Capítulo

Foi iniciada em 1513, na campanha de obras de D. Manuel, pelo arquiteto Diogo de Arruda e continuada por João de Castilho. O piso inferior serviria para Capítulo dos Frades e o superior dos Cavaleiros.

Entre 1533 e 1545 foi renovada ao gosto renascentista até à suspensão ordenada por D. João III, e o edifício nunca foi concluído.

Em 1581, Filipe II de Espanha, I de Portugal, reuniu as Cortes neste espaço, tendo sido aqui concretizada a união dinástica e jurado D. Diogo, seu filho, como príncipe de Portugal. Para este efeito foi concebida uma cobertura feita com velas de navios e revestidas as paredes com tapeçarias.

Para mais informações clica aqui ou lê o código QR ao lado.

  • Câmara Municipal de Abrantes

    Trata-se de um edifício com construção inicial no século XVI e que foi objecto de alterações posteriores nos séculos XVII, XVIII e XX.

  • Museu Ibérico de Arqueologia e Arte

    O recém inaugurado Museu Ibérico de Arte e Arqueologia de Abrantes onde a preservação e divulgação de um valioso espólio arqueológico, baseado em peças anteriores à fundação de Portugal, está na origem da criação deste museu .

  • Castelo de Abrantes

    Terá sido mandado construir por D. Afonso Henriques no século XII, para defesa da linha do Tejo, aquando da reconquista cristã.

  • Capela de Sant’Ana

    Sabe-se que já existia em 17 de junho de 1496. No século XVIII, foi alvo de obras de remodelação, promovidas pelo Cónego da Sé da Guarda.

  • Biblioteca Municipal António Botto

    Projeto arquitetónico de Duarte Castelo Branco, que transformou uma parte do antigo Convento de S. Domingos, num espaço de informação, cultura e educação permanente.

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