0%

Viajando por Portugal

Pelos caminhos de Portugal, vi tanta coisa linda, vi coisa sem igual.

Jardins do Palácio Nacional de Queluz

José Torres
03.08.2025

Época de construção

Século XVIII / XIX / XX

Classificação

Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG, 1.ª série, n.º 136 de 23 junho 1910 / Zona “non aedificandi”, Portaria, DG, 2.ª série, n.º 200 de 24 agosto 1968 *1

Localização

Largo Palácio de Queluz, 2745-191 Queluz

Descrição

O Palácio de Queluz e seus jardins é um dos melhores exemplos da arquitetura portuguesa de finais do séc. XVIII.

Mandado construir por Pedro III, marido da rainha D. Maria I (1734-1816), e utilizado como residência real, este palácio constitui um dos melhores exemplos da arquitectura portuguesa dos finais do século XVIII.

Foi enriquecido com um importante museu de artes decorativas, cujas colecções pertenceram, na sua maior parte, à família real e estão expostas no seu contexto próprio. Muitas das suas salas possuem decoração rocaille, como a soberba Sala do Trono, com paredes revestidas de espelhos e magnífica talha dourada.

Os jardins circundantes são embelezados por fontanários e lagos ornamentais onde a água brota de figuras mitológicas, entre as quais sobressai o grupo escultórico em volta do lago do Jardim de Neptuno.

O que podemos ver nos jardins do Palácio?

Mapa disponível aqui.

  • Antigo Jardim do Labirinto
  • Canal de Azulejos

As águas do rio jamor eram retidas num Canal com 115 metros, formando um grande lago onde a família rela passeava de gôndola. O canal foi integralmente revestido por painéis de azulejos polícromos, executados em 1755.

A temática das composições inclui portos de mar, torres, castelos, paisagens, cenas galantes e cenas de caça. No ponto Central erguia-se outrora a Casa da Musica ou Casa do Lago, onde tocavam os músicos de câmara da rainha durante as festividades estivais.

Em 1900, o Rei D. Carlos e a Rainha D- Amélia promoveram o restauro de todo o revestimento azulejar, como descreve o padrão comemorativo com as armas de Bragança e Orléans colocado na parte central do canal.

  • Cascata

Tida como a primeira cascata artificial edificada nos arredores de Lisboa, a construção foi iniciada em 1772 e prolongou-se até 1778.

A sua monumentalidade destaca-se no conjunto dos jogos de água do jardim, abastecido através de um complexo sistema hidráulico, que funcionava extramuros e incluía minas, aquedutos e tanques.

A água cai em cascata através de vários orifícios das duas fénix laterais e da carranca central.

Este enorme “mascarão” foi lavrado em mármore de Pero Pinheiro, em 1771, e a pedra rústica, ou “grotesca”, em tom cinzento-azulado, trazida de Casais, em 1883.

Na parte superior tem um grande reservatório de água e uma varanda com balaustrada, decorada com várias estátuas.

  • Escultura de Eneias e Anquises

Esculturas de John Cheere (1709-1787)

Escultor Inglês com atelier em Londres, especialmente reconhecido pelas suas estátuas em chumbo, muito populares no século XVIII.

O conjunto escultórico de Queluz constitui a maior coleção de estátuas deste autor fora de Inglaterra. Foram escolhidas por D. Pedro e encomendadas em 1755 e 1756 pelo Marquês de Pombal.

Entre 2003 e 2009 esta excecional coleção foi submetida a uma intervenção de conservação e restauro realizada pelo Worl Monuments Fund.

  • Fonte do Dragão

Localizada no Jardim Novo, esta fonte de pequenas dimensões é composta por uma bacia oval em calcário de lioz. Adjacente a esta, sobre um plinto de alvenaria e argamassa, apresenta-se a figura de dragão, em mármore, com uma bica de saída de água na boca.

  • Jardim Baixo

Para distrair a família real e a corte o jardim dispunha de jogos, pavilhões efémeros e gaiolas com pássaros exóticos, que se organizavam ao longo do curso do rio.

Aproveitando as zonas mais frescas e ensombradas, divertiam-se no jogo do lago, andavam de gôndola no canal e circulavam pelo parque em elegantes caminhos de passeio.

Em 1755 foi concluída a Casa da Música sobre o canal, assim como os dois pavilhões de madeira para o jogo dos quatro Cavalinhos de pau, um pequeno carrocel, e o jogo do Truque, uma espécie de bilhar. A nota de maior esplendor era a barraca Rica ou “pousada das pessoas reais”, erguida em 1757. O jogo da Pela terminou-se em 1758. Em 1764 finalizou-se o jardim do Labirinto e em 1778, em frente deste, o fresco alusivo ao jogo da Cabra Cega.

Os jardins foram palco de galantes festejos de comemoração dos santos patronos e dos aniversários da Família Real, os quais incluíam cerimónias religiosas, serenatas, “cavalhadas”, lançamento de balões aerostáticos e espetáculos de fogo-de-artifício.

  • Jardim Botânico

Construído entre 1769 e 1776, o jardim dispunha de quatro estufas para coleções de plantas europeias, africanas e americanas e asiáticas.

Aqui também se cultivavam ananases, uma iguaria destinada apenas à mesa real e muito apreciada por D. Pedro III.

A norte, no eixo central do jardim, foi construído em 1772 um pavilhão chinês de madeira.

Várias esculturassem chumbo e pedra ladeavam o lago central.

Nos canteiros dispunha-se a coleção botânica.

As plantas eram etiquetadas de acordo com a sua origem geográfica e dispostas de forma ordenada, ou seja, distribuídas em géneros, famílias, ordens e classes, segundo o sistema de classificação de Lineu.

Em termos formais, os traçados dos jardins botânicos tentam reconstruir o “mundo natural”, refletindo também a ordem, a razão e o método, patentes na sistematização do pensamento científico iluminista.

  • Jardim Pênsil ou de Neptuno

Em frente da Fachada de Cerimónias desenvolvem-se os parterres de aparato delineados por Jean Baptiste Robillion de acordo com o estilo de jardinagem, simetricamente perfeito, concebido por André Le Nôtre no século XVII.

O Jardim Pênsil foi construído entre 1760 e 1772.

O eixo central é definido pelo lago de Neptuno, pelo lago de Nereide e pelas duas estátuas alegóricas da Fama. Montando o cavalo alado Pégaso, esculpidas em 1771 por Manuel Alves e Filipe da Costa.

As esculturas de chumbo foram encomendadas a John Cheere em 1755 e 1756, e constituem ainda hoje o maior conjunto deste escultor inglês reunido no mesmo jardim.

A maioria das estátuas de mármores são provenientes de Itália. Representam alegorias às estações do ano e às artes e temas da mitologia clássica.

  • Jardim de Malta

O Jardim de Malta, desenhados pelo arquiteto e ourives francês Jean Baptiste Robillion, de menores dimensões, (construído onde anteriormente se localizava um espelho de água), em frente às fachadas das Salas do Trono e da Música, era assim chamado em referência à Ordem de Malta, da qual D. Pedro III era Grão-Mestre.

  • Jardim Novo

O Lago das Medalhas foi desenhado por Jean Baptiste Robillion em 1764, em forma de octógono estrelado, tendo ao centro um grupo escultórico em chumbo. É dotado de um complexo sistema de repuxos. Duas Esculturas de John Cheere representando “Diana e Apolo”, inserem-se hoje neste conjunto.

Neste eixo encontra-se também a Fonte de Neptuno, imponente conjunto escultórico representando “Neptuno rodeado de Tritões”, da autoria de Ercole Ferrata, discípulo de Gianlorenzo Bernini. Encomendado em 1677 pelo 3º Conde da Ericeira para o Palácio da Anunciada, em Lisboa, foi transferido para este local em 1945.

O Tanque do Curro, reservatório para onde eram canalizadas as águas provenientes de minas do palácio, remata este conjunto. O nome deriva da proximidade do “curro”, o compartimento onde ficavam os touros antes e depois de corridos em praça.

  • Jogo da Pela

Na qualidade de desporto favorito do rei D. José I, irmão de D. Pedro III, o jogo da Pela foi edificado em 1758. Com tradição desde o século XIII, consistia em lançar uma bola de couro ou de lã (a pela) com a palma da mão, dando origem ao nome francês – “jeu de Paume” (jogo da palma) e mais tarde de “Royal Tennis”. No século XV começou a jogar-se com um instrumento (raquete, bastão ou pandeiro). Era essencialmente praticado por aristocratas, com partidas de um-para-um, mas o número de jogadores podia ser de 44,6 ou mesmo 8. Ao contrário do resto da europa, em Portugal, o jogo da pela praticava-se ao ar livre. Neste recinto jogava-se uma versão antiga do jogo do bilhar.

  • Lago da preguiça

Lago com bacia poligonal – em cimento armado revestido a azulejo industrial – e moldura em calcário de lioz. Apresenta quatro saídas de água.

  • Lago das Conchas

Situado no Bosquete, este lago apresenta uma bacia recortada em calcário de lioz, estriada, lavrada com fina decoração rocaille, vegetalista e marinha (conchas), lembrando uma peça de baixela.

  • Lago de Abel e Caim

Com bacia poligonal (em cimento armado), este lago apresenta um bordadura em calcário de lioz estriado, rematado pelas figuras de dois dragões de onde sai o sistema cénico do lago.

Para mais informações clica aqui e aqui ou lê os códigos QR ao lado.

  • Palacete Seixas

    Localizado junto à praia da Ribeira, em Cascais, o Palacete Seixas implanta-se sobre os troços remanescentes do Forte de Santa Catarina, sendo atualmente propriedade da Marinha Portuguesa.

  • Câmara Municipal de Cascais

    A Câmara Municipal de Cascais é o órgão executivo do município e tem por missão definir e executar políticas que promovam o desenvolvimento do Concelho de Cascais.

  • Igreja de Santo António do Estoril

    Esta igreja do início do século XVI foi construída no local de um edifício ainda mais antigo.

  • Igreja de Nossa Senhora da Misericórdia

    A Santa Casa da Misericórdia de Cascais, fundada em 1551, instalou-se na Ermida de Santo André.

  • Forte da Cruz

    Pequena construção que parece um pequeno castelo sobre a praia do Tamariz no Estoril.

Comentários


Ainda não há comentários sobre este artigo.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *